Fim da chuva, início do plantio de maracujá

No final da época de chuvas, inicia-se o melhor período para o plantio do maracujá no Cerrado. A recomendação é de Fábio Faleiro, pesquisador da Embrapa Cerrados, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).  “O período que se iniciou em abril e vai até maio é época interessante para o plantio, pois as mudas no campo sofrerão menos ocorrência de doenças”, afirma. Além disso, ele explica que os dias menores de inverno nos meses seguintes não estimulam o florescimento da planta, que ocorre apenas em situações com mais de 11 horas de luz por dia. Dessa forma, a planta só vai apresentar flores quando estiver maior, em condições mais favoráveis para o desenvolvimento dos frutos.

No plantio, o produtor precisa tomar cuidado com o reaproveitamento de sementes. “Não recomendamos essa prática, por causa de perdas provocadas por genes indesejáveis”, explica o pesquisador. De acordo com ele, no maracujá há a diminuição do vigor e da produtividade, de forma semelhante ao que ocorre com o milho. Ambas são plantas alógamas, que dependem de polinização cruzada e, nesse processo de reprodução, algumas características interessantes podem ser perdidas.  No caso desse tipo de planta, as pesquisas de melhoramento trabalham para obter híbridos. “Eles são mais uniformes, oferecem mais produtividade e resistência”, explica Fábio.

Em 2008, a Embrapa Cerrados lançou três híbridos que estão em fase de avaliação em todo o país e têm-se revelado bem produtivos na maioria das condições. O BRS Sol do Cerrado apresenta como vantagem a menor dependência da polinização manual, além de frutos grandes e arredondados. O BRS Ouro vermelho apresenta uma parte dos frutos com a coloração avermelhada na casca, pois é resultado de cruzamento com uma variedade nativa, de quem herdou a maior resistência a doenças. O BRS Gigante Vermelho tem frutos grandes e tem muita produtividade. Segundo o pesquisador, essas fruteiras podem ser plantadas em todo o país, em áreas que sejam bem drenadas e não sujeitas a geadas.

Além da preocupação com a escolha da semente, o pesquisador Fábio Faleiro destaca que o produtor precisa ter em mente a importância de adotar tecnologia para ampliar a produtividade da lavoura. Uma delas é a polinização manual, cuja utilização gera aumento de produtividade entre 40 e 50%. “Essa é uma cultura que exige mão-de-obra e tecnologia, não deve ser plantada de forma amadora”, defende.

Rumos da pesquisa
– Fruta típica do Brasil, o maracujá tem no Cerrado o principal centro de diversidade. Por isso, a pesquisa sobre o fruto na Embrapa Cerrados tem como um de seus focos a obtenção de novos híbridos, com boa produtividade e resistência a doenças. Além disso, o trabalho de melhoramento tem buscado desenvolver plantas com potencial ornamental, medicinal, entre outras frentes.

Algumas espécies silvestres, como a que produz frutos com características semelhantes à jaboticaba ou que descasca como mexerica, estão também com a pesquisa de melhoramento em curso na Unidade da Embrapa. Segundo o pesquisador, o principal objetivo nessa linha não é o plantio em grande escala comercial, mas sim levar o conhecimento da diversidade do fruto para a população e atender nichos de agricultura urbana (fundos de quintal e pequenas chácaras) e de pequenos agricultores que comercializam frutos em feiras comunitárias.

Foto: Fábio Faleiro e Gustavo Porpino
Texto: Clarissa Lima Paes (MTb 6472/DF)
Jornalista da Embrapa Cerrados
clarissa.lima@cpac.embrapa.br
(61) 3388 9945
 

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