Apresentação
10/Fev/09 09:33
O Cerrado, com 207 milhões de hectares e enorme importância no cenário agrícola, é o segundo maior bioma brasileiro, apresentando expressiva biodiversidade que pode ser explorada na produção de alimentos, forragem, madeira, fibras, fármacos e plantas ornamentais.
Até a década de 1970, a atividade econômica nos seus domínios baseava-se na criação extensiva de gado, cultivo de arroz, produção de carvão vegetal e extração de madeira. Ao longo dos últimos 30 anos, a ocupação agrícola tem apresentado desenvolvimento excepcional. Atualmente, são cerca de 98,5 milhões de hectares explorados, dos quais 50 em pastagens cultivadas, 30 em pastos naturais, 15 em cultivos anuais e 3,5 em perenes e florestais. O Cerrado responde por mais de 55% da produção nacional de soja, com níveis de rendimento em Estados como Mato Grosso (3.000 kg ha-1) e Goiás (2900 kg ha-1) superiores aos da média nacional (2782 kg ha-1). Sua importância verifica-se também no algodão, milho, arroz e feijão, culturas que contribuem com 76%, 31%, 18% e 22% da produção nacional. Esse cenário tem sido enriquecido, também, com a participação do sorgo, do girassol, da cevada, do trigo, da seringueira, das espécies hortícolas e da indústria de transformação. Na pecuária, os números são bastante expressivos, com 42% dos 176 milhões de bovinos do rebanho nacional responsáveis por 55% da produção de carne.
Com base nesses dados, é possível afirmar que a conquista do Cerrado foi um dos grandes feitos na área agrícola dos trópicos no século XX e pode ser considerada como um modelo a ser seguido em outras regiões em vias de desenvolvimento no mundo, especialmente, na América do Sul e na África onde ocorrem ecossistemas similares aos das savanas brasileiras.
Ao contrário de muitas regiões no mundo, em que o estabelecimento da agricultura deu-se em locais onde a fertilidade natural dos solos permitia a capitalização inicial dos agricultores, no Cerrado, instalou-se em áreas de solos ácidos, de baixa fertilidade. Além de políticas públicas de desenvolvimento regional, um fator de destaque no extraordinário desempenho agropecuário foi a geração de tecnologia. Técnicas para a correção, adubação e manejo dos solos, obtenção de soja adaptada às baixas latitudes, lançamento de cultivares e definição do manejo em soja, arroz, milho, algodão, feijão e trigo constituem alguns dos resultados promissores da pesquisa agrícola nos trópicos.
Além de melhorar o desempenho e a eficiência da agropecuária, o uso da tecnologia também é fundamental para a conservação do bioma centro de origem das nascentes de seis grandes bacias hidrográficas brasileiras (Amazônica, Tocantins-Araguaia, Atlântico Norte-Nordeste, São Francisco, Atlântico-Leste e Paraná-Paraguai). No Cerrado, encontra-se o segundo maior volume de diversidade do planeta, superado apenas pela Amazônia. São mais de 6500 espécies de plantas das quais cerca de 200 apresentam perspectiva de uso econômico. Sua fauna abriga mais de 300 espécies de vertebrados e cerca de mil gêneros de fungos. Portanto, as práticas agrícolas utilizadas nesse ambiente devem ser modernas, sustentáveis e ambientalmente corretas.
Desde sua criação, em 1975, a Embrapa Cerrados, unidade regional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, tem-se dedicado a atender às necessidades do País e às expectativas da sociedade na geração de conhecimento e tecnologia que possibilitem a ocupação racional do bioma. Desenvolve e coordena pesquisa em recursos naturais, sistemas de produção, socioeconomia, bem como identifica o potencial de aproveitamento e estratégias de uso para gerar, validar e transferir tecnologia, beneficiando o conjunto de agricultores que atua na região.
Nesses trinta anos de existência, a Embrapa Cerrados gerou tecnologias que viabilizaram a exploração agrícola do Cerrado. Essas tecnologias possibilitaram a duplicação da área plantada e quadriplicou a produção da região.
Atualmente, o Cerrado constitui alternativa para a produção de alimentos tanto para consumo interno quanto para exportação dos excedentes. Estima-se que, com a utilização dos estoques de tecnologias hoje disponíveis, seja possível produzir cerca de 350 milhões de toneladas de alimentos na área potencialmente utilizável para a agrossilvicultura.